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Importância da transferência passiva de imunidade pelo colostro, Felipe Leão

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O Felipe Leão, aluno e monitor da ATP e graduando em Medicina Veterinária, elaborou um artigo intitulado Importância da transferência passiva de imunidade pelo colostro que pode contribuir imensamente para o seu conhecimento sobre o assunto.

Confira o artigo na íntegra:

A dieta e os cuidados com a égua durante a gestação são fatores que influenciam a qualidade de amamentação e colostro. Através do colostro, o recém-nascido ingere e absorve imunoglobulinas (Ig) que fornecem a proteção do trato intestinal, ajudando a prevenir infecções futuras que possam causar a morte prematura desse animal.

Devido à estrutura da placenta equina (epiteliocorial) apresentar características praticamente impermeáveis à passagem de substâncias que compõem o organismo, isso faz com que o potro nasça sem defesas. Os patógenos externos são, portanto, uma grande ameaça, e é então extremamente importante que o potro consuma o colostro nas primeiras 2 a 6 horas de vida, para que as devidas imunoglobulinas, que não foram fornecidas durante a gestação, sejam absorvidas para compor seu sistema imunológico.

Segundo Nereu (2017, ed 2º, pg 212), o colostro pode ser definido como uma emulsão de gotículas de gordura e proteínas em água e, portanto, de constituição totalmente diferente do leite. Com uma concentração superior de proteínas, chegando a 12 a 16 g/l, em comparação com o leite que e de apenas 2 g/l, onde 50% dessa emulsão são imunoglobulinas (Igs), contendo altas taxas de gordura, o que facilita a concentração de vitaminas lipossolúveis, vitaminas A e E.

O colostro começa a ser produzido através de influência hormonal nas últimas semanas de gestação, quando a glândula mamária começa a concentrar Igs do sangue, com maior concentração de imunoglobulinas G (IgG) e em menor concentração, imunoglobulinas A (IgA) e imunoglobulinas M (IgM).  O colostro é secretado por curto espaço de tempo, sendo substituído por leite, o que ocorre após a diminuição da concentração de Ig, 12h após a glândula mamária ser estimulada pela sucção do potro. A ingestão do colostro promove Igs circulantes para o recém-nascido, entre os inúmeros efeitos benéficos da ingestão do colostro, podemos salientar a proteção do trato gastrointestinal e o fornecimento de complementos e lactoferrinas, o que possui ligação direta com o aumento de defesa do organismo.

A absorção do colostro é realizada por células especializadas do intestino delgado, por meio de pinocitose. O sistema linfático e responsável por transportar as moléculas de Ig até o sangue periférico. A absorção de Ig cai com o tempo, sendo seu pico em até 8h após o nascimento, diminuindo consideravelmente após esse período. Nas primeiras 24 a 36 horas ocorre a substituição das células intestinais, quando é interrompido a absorção do Ig. Com a ingestão do colostro nas primeiras 2 horas após o parto, o recém-nascido já apresenta Ig detectáveis 6 horas pós-parto ocorrendo um pico de Ig em 18 horas.

Nas primeiras 4 semanas de vida as Igs maternas são catabolizadas rapidamente pelo potro, sendo diluídas gradativamente pelo aumento do volume plasmático. O tempo de duração das Igs maternas tem um período de 20 a 23 dias. Quando alcançam os 5 a 6 meses de vida, ocorre a diminuição ou até mesmo ausência dos Igs maternos. A partir das 2 semanas de vida os Igs autógenos já são identificados, mostrando concentração igual a cavalos adultos depois de 4 meses.

Segundo Tizard (2014, ed 9º, pg 510) os níveis de IgG colostrais também variam entre os indivíduos, com até 28% de éguas são produtoras de colostro de má qualidade. O que torna de grande importância a avaliação tanto física como laboratorial do colostro, para identificar características quantitativas e qualitativas. Contudo devemos levar em consideração que 25% dos potros não conseguem absorver quantidade favoráveis de imunoglobulinas, o que independe do manejo pré ou pós-parto, sendo uma condição individual.

A imunidade adquirida através do colostro fornecido pela égua, é de grande importância para os recém-nascidos. Quando ocorrem falhas nesse processo, o neonato apresenta deficiência nos níveis de IgG, o que o deixa vulnerável às infecções. Ao verificar os níveis de IgG sérica nas primeiras 24 horas de vida, é possível prosseguir com diferentes protocolos, diminuindo gastos, uso de terapias desnecessárias e diminuindo a mortalidade neonatal, causada pela falha de transferência passiva.

Escrito por:

Felipe Leão, aluno e monitor ATP
Estudante de Medicina Veterinária

REFERÊNCIAS

Obstetrícia veterinária / Nereu Carlos Prestes, Fernanda da Cruz Landim Alvarenga. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.

Imunologia veterinária / Ian R. Tizard; tradução Luciana Medina, Mateus D. Luchese. – 9. ed. – Rio de Janeiro;

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